sexta-feira, outubro 15

Ponto de Vista

Foi um fragmento de manequim (eram nádegas de manequim pregadas na parede!) que serviu de gatilho, para ativar uma idéia que tenho há dias! Registrar meu ponto de vista de cenas cotidianas, minhas filosofagens e filosofias sobre tudo que se vê na rua, as pessoas as casas as lojas e produtos, o modo de falar e de vestir, de comportar e agir.
Estava num ônibus, penúltima cadeira, em meio ao Largo de Osasco. Talvez seja o lugar que mais me fascina por ser tão ambíguo, e contrastante, pois ao mesmo tempo que é sujo, saturado de pessoas propagandas e produtos baratos populares, é ao mesmo tempo um lugar que te convida, que te interessa que te mostra a face do povo, e a relação dele com o consumo e a sociedade como um todo.
Não quero ser Parnasianista nem Arcadista, subir na minha montanha e registrar o comportamento da sociedade, do povo, sem me envolver, mas devo admitir que aquele ônibus me deu uma capacidade nova: A de ser quase invisível! De poder me infiltrar nas entranhas daquele lugar sem ser notado, de registrar toda aquela cena sem a própria cena saber que está sendo registrada.
Estava num ônibus, em meio ao Largo de Osasco, e vi.
Uma velha, com seus 60 anos, bem alta em botas de couro negras, fumando um cigarro ao estilo anos 50, talvez a alma dela seja jovem ainda, talvez ela nem seja tão velha assim. Um aspirador de pó tem um formato inusitado, parece mesmo, um elmo medieval. Um homem-anúncio passa andando contra a multidão, com seu colete saturado de propagandas de "compro-ouro", telefones e outras coisas ilegíveis, ele não parecia muito bem. O chão estava molhado, e pela veredas do pavimento da calçada escorriam canais de agua enegrecida, provavelmente com alto teor de borracha e fuligem, dos sapatos e dos motores.
Uma moça bem tatuada, sua pele como se fosse móvel, anda com um cigarro no canto da boca, ela parece má, mas é lógico que não! Quase dá pra se ver um coração mole no peito dela. Existe uma nova moda, as pessoas estão usando roupas extremamente coloridas, e sem combinação, misturando vários estilos e isso me confunde muito. Às vezes eu penso que estamos momento de síntese, de tudo que já existiu, isso me leva a pensar que estamos no fim, vaga idéia.
Moças, muitas moças, como existem mulheres nesse país! Moças pseudo! pseudo-loiras, pseudo-lindas, pseudo-magras, pseudo-peles-perfeitas, pseudo-cabelos-lisos! São bonitas assim como são, são fora do padrão sim, mas não me importam os padrões.
Um outro ônibus estaciona ao lado, muitas pessoas pensativas; Em que pensariam aquelas pessoas? Será que elas estão tendo idéias como as minhas? Ou será que elas estão só pensando no(a) namorado(a), em contas, em um sonho ou conflito? Impossível, e a impossibilidade me traz a beleza da cena!. Eu noto então que o banco do meu lado é o único vazio, porque será? Penso muito nisso, não o fato de eu ser a causa de ele estar vazio, mas parece que tudo hoje estava de acordo, conspirando para que eu escrevesse isto. Ninguém me notou. Quase nunca olho para trás, e duas moças estão a conversar no ultimo banco, incrivelmente metalinguisticas! No ônibus só falam de ônibus, não sei como elas são, eu raramente olho para trás.
Extremamente incríveis e hilárias são as lojas desse lugar, dezenas de lojas de Lingerie e quase todos os modelos são com formas de peles de animas, oncinha, zebrinha, girafinha, tigrezinho, vaquinha até dálmata! Lotadas as lojas. Vendedores de raquetes elétricas devem ganhar muito dinheiro, raquetes mosquitocidas! será que ja estudam o impacto das raquetes de choque no ecossistema, todo mundo tem uma!.
Eu penso sobre a estética das coisas, e acho medíocre, ela deforma a forma original! Mas adoro a estética pois ela torna legível aquilo que somente o autor entende. Sou assim, meio contraditório e indeciso, escrevo do fim para o começo do caderno, só leio revistas do fim para o começo, sou meio assim, e faz muito calor! Deve ser uma fase, não a do calor, mas a minha.
Vejo novamente muitos cabelos lisos e pseudo-lisos, oque está em discussão não é a forma do cabelo! Eu gosto de cabelos lisos, e ja amei cachos também, a verdade é que agente nunca ama ,ou odeia, nada de vulgar assim. O amor e o ódio são bem mais nobres! Gostar de uma forma depende do momento e do contexto e é lógico, da dona do cabelo!
Meu ônibus saiu do Largo, agora eu estou na Av. Autonomistas, cara! Como existem caros aqui! Muitos deles. Vejo a coisa mais dessintonizada, que quebra o clima filosófico, é uma moça ou um moço fantasiado de Minnie Mouse. Meu tempo é curto. Acabou. Cheguei no meu destino: outro universo! Minha escola.

sexta-feira, setembro 17

É a vida...

Não sei oque acontece algumas vezes, que agente fica meio estranho, meio deslocado da própria realidade. Agente vive em terceira pessoa, no piloto automático, e assiste o desastre animado que é a nossa vida, de camarote, povoada de rotinas, de hipocrisias, de incoerências, contradições, ironias, as malditas ironias, de falsidades e de hábitos estranhos e desagradáveis.
Um dia desses eu acordei assim, e disse: Foda-se, vou escrever em primeira pessoa mesmo! "Estou cansado do lirismo comedido e bem comportado" e me vem a à cabeça Manuel Bandeira.
Um dia desses eu acordei, mais irado ainda, e disse: Foda-se eu cansei de fazer uma sala eterna, pra pessoas que nem ligam se eu existo, ou se deixei de existir feriado passado.
Um dia desses eu fui obrigado a pôr goela a baixo, como se fosse uma religião, toda a teoria científica do sentido da vida, da química do carbono, da fragilidade do peito, do porém dos outros poréns, o porque o mundo é como é. Notei depois disso que nada pode ser perfeito, nada nunca foi, e nunca vai ser, e eu perfeccionista, entrei em crise eterna.
Eu vendo minha alma, que aliás não existe, pra quem me provar que existe uma coisa sublime! E que me mostre essa coisa, porque sinceramente, cansei de correr atrás do perfeito e de tentar ser perfeito, o aluno perfeito, o filho perfeito, o amigo perfeito, o idiota perfeito.
E isso já faz algum tempo.
O maior crime que se comete contra alguém, com certeza, é tirar a liberdade de tal, e eu sou uma vitima desse crime. Mas não estou me fazendo de vitima não, por mais vitima que eu seja, não sou ainda uma vitima indefesa, e segundo Sartre, se esse cara estiver certo e tomara que esteja, o criminoso da história sou eu mesmo.
Eu escolhi estar aqui, na situação que eu estou, e como dizem: A maior bênção é a IGNORÂNCIA.
Eu escolhi o caminho dos estudos, de saber das coisas, e a cada obra literária que termino, cada equação que eu resolvo, cada conceito que eu absorvo com sede, um pedaço da minha felicidade plena se perde, e matuta sem fim na minha cabeça: "As coisas tendem a se deslocar para o menor nível possível de energia." "Começamos a morrer, à partir do momento que nascemos." "Adolescência: Aquele amor, nem me fale." "Só sei que nada sei." "A globalização é perversa." dentre outras milhares de coisas assim.
A Suprema: "Antropo Zôon Politikón" me fere a Índole.
"Então Eva comeu do fruto proibido, da árvore das Ciências." foram expulsos do Paraíso.
Nada dá certo, é tudo um devaneio, eu me tiro a própria liberdade, eu me saboto, nós nos sabotamos!
"A Fase de Ouro da humanidade foi o estágio tribal, quando existia caça, pesca, agricultura e moradia para todos, todos eram ligados por um grau de parentesco, o homem parou de ser nômade e descansou na terra que então disse ser dele." Naquela mesma terra, hoje vemos Paris, Londres, São Paulo: a Bangladesh!
Ainda existem tribos auto sustentáveis, que vivem nesse estagio pleno de convivência e harmonia, de honestidade e generosidade, sem a pressão do acúmulo? Aponte o dedo na direção da tribo e eu aprendo até Tupi-Guarani.
"A matéria orgânica na poça primordial foi se esgotando, então os primeiros seres unicelulares foram abrigados a comerem uns aos outros, o maior ao menor, á partir deste momento, surge o primeiro carnívoro, o primeiro antropófago, o primeiro assassino, o primeiro oportunista, que deu origem à toda vida Animalia, inclusive à nós seres humanos".
É esse o sentido da vida animada! Se dar bem encima dos outros! Lógico, porque não? Vence o mais adaptado, o mais forte, o mais esperto! Vence quem dilacera e come crua a carne do outro mais fraco.
Encontrei! O sentido da vida é esse. Uma salva de palmas, é a vida.
Um sonho tantálico, um devaneio hediondo, uma fábula de Esopo, um Petit Gateau, é a vida.
Um amor de mentira, um arranhão pelo vil metal, uma morte por bala, arriba! É a vida!.
Um sopro no ouvido, um tapa na fonte, a migalha no chão, um banquete brilhante.
A Moral, sofre pela Ética, que morre pela Moral!
O Cançasso na forma de gente. E a Guilhotina no fim do túnel.
É sua vida...


sexta-feira, agosto 6

Preconceito Pré-Conceito e Conceito Formado

Uma das coisas da qual mais se fala e se discute hoje em dia é a questão do preconceito.
Preconceito é sinônimo de discriminação, aversão, ódio e resistência em aceitar certos tipos de coisas, sejam costumes, seja uma linguagem, ou até mesmo um povo inteiro, uma ideologia ou religião, e é um crime previsto por lei, nas constituições de vários países, inclusive no Brasil.
Preconceitos podem ser raciais, religiosos, étnicos, morais, sociais, ideológicos... Enfim são muitos os tipos de preconceito sofridos e aplicados sobre as pessoas, direta ou indiretamente, como um clássico exemplo de preconceito direto, temos o racial nos Estados Unidos, mais atenuado atualmente, porém muito forte ainda.
Houve uma época em que existiam nos EUA dois banheiros distintos, um para negros e outro para brancos em locais públicos, assim como havia, nas conduções coletivas, a ala dos brancos mais a frente e a dos negros ao fundo, compondo assim uma apartheid (segregação racial) dentro dos próprios EUA, que defende um país livre, democrático e etc... Mas, críticas aos EUA não cabem aqui e serão discutidas em um próximo post.
E como o exemplo anterior, o mecanismo de outros tipos de preconceito é o mesmo, ao generalizar de modo detestável tudo que se associa ao que questiona, e não aprova. Porém existe uma diferença, por mais sutil que seja, entre o preconceito o pré-conceito e o conceito já formado.
O pré-conceito é quando uma opinião, ou conclusão, já existe antes mesmo de se conhecer a fundo o que se questiona, porém não se possui uma aversão muito forte, somente um conceito equivocado do que aquilo representa, um exemplo que atualmente é corriqueiro é a questão do Santo Daime, as pessoas não têm aversão ao Santo Daime, como tem para com as religiões afro-americanas que julgam ser macumba, mas se indignam e esbravejam: "Um bando de alucinados, tomando chá de cogumelo, só pra ficar doidão!" "Como se procura a Deus, se drogando?" e deixam então passar a essência da coisa, que o Santo Daime foi inicialmente um ritual indígena nativo, que buscava com o chá do cipó caapri e da folha de chacrona, uma orientação espiritual, isto é riqueza cultural livre de moralizações européias, e deve ser respeitado como patrimônio nacional.
Existe também o conceito já formado da coisa em questão, que é onde entra a relatividade, pois cada sujeito por mais alienado e manipulado que seja, sabe discernir de acordo com sua bagagem pessoal de experiências e senso, o que merece seu apoio, compreensão e respeito, e o que pode ameaçar o resto da sociedade em que se vive.
O conceito formado só se da quando o indivíduo se informa, de maneira imparcial e somente assim, sobre o que está em questão, como é o caso de quem odeia música clássica, pois acha careta e sem letra, e por isso é tediosa (pré-conceito), mas ao ouvir, até por certa obrigação, acaba vendo que uma mera letra é substituída por ritmos e harmonias insuperáveis nas musicas pop, e que a melodia não é assim tão careta(novo conceito já formado).
O importante é eliminar o preconceito e o pré-conceito, e substituí-lo por um conceito formado, por meio de aprofundamento, interesse e mente aberta a novas conclusões sobre as coisas, e então, se mesmo depois de informado e já tendo conhecimento íntegro da coisa, ainda for avesso, cabe o você, como ser humano, respeitar a posição do próximo.
Somente assim garante-se o o direito de todos sobre a liberdade, com o conhecimento.
Você ainda acha que vai na escola pra aprender Física?

sábado, julho 31

Relatividade

A Relatividade é um substantivo que designa uma característica, logo possui um adjetivo derivado, e tal característica designada pelo adjetivo Relativo(a) é, se não a mais, uma das mais complexas qualidades a se designar para um componente da realidade.
Afinal, qual é o significado de Relativo?
Um componente da realidade, seja um objeto, seja um ser vivo, seja um sentimento ou um ato, seja uma lei, um cálculo ou conceito, uma ideologia enfim se formos citar todos os componentes da nossa realidade seriam precisos alguns trilhões de Blogs! Todos os componentes possuem qualidades e características e quase todos eles possuem o comportamento de serem relativos, mas nada é relativo só por ser.
Assim como uma pedra inerte depende do sol e do meio para se definir quente ou fria, ou uma grande massa depende de uma gravidade externa, ou da falta de tal para ser pesada ou leve, os componentes relativos de nossa realidade dependem de pontos de vista para o serem. Por exemplo, o componente "Aventura", o que é uma aventura para você? O mesmo pode ser minha rotina. Para mim uma aventura seria mergulhar em alto mar, e afundar no desconhecido, mas para alguns isto é somente um dia de trabalho! Para um bebê, dar o primeiro passo é uma enorme aventura, mas para nós crescidos é uma necessidade básica para nos locomovermos (á exceção dos deficientes, claro.).
Em nenhum exemplo de relatividade existem menos de três elementos, sendo um deles o objeto em questão e os outros, pontos de vista e concepções distintas, logo nada é relativo sozinho.
O objetivo de conceituar a relatividade, e o objetivo do Blog, é mostrar que nunca, nenhuma posição, opinião, lado ou ponto de vista que tomar sobre o que quer que seja, será totalmente certa ou errada, ou imparcial.
Sempre haverá argumentos e fatos que realmente comprovam e justificam ambos pontos de vista, e sempre terá quem defende os dois lados da moeda.
Em sumo: Nunca pense de modo a ver somente um lado das coisas, prime por abrir sua mente e pensar como seus contrapostos, tentar entendê-los e entender porque são contra seu ponto de vista, e quem sabe assim tenha uma visão mais ampla de tudo na vida. Se obtiver uma visão mais ampla, é sinal de que seus olhos estão cada vez mais abertos à realidade e cada vez mas fechados às mentiras.

quinta-feira, julho 29

Pra começar...

Indiscutivelmente, tudo que vemos é luz.
A Luz desafia muitas coisas, inclusive a própria realidade, pois até hoje não se sabe ao certo se a luz é energia ou matéria, uma vez que a luz se comporta tanto como onda quanto como partícula.
Somos seres muito visuais, acreditamos mais nesse sentido, o da visão, justamente o mais duvidoso e ilusório!
A Luz é a coisa mais rápida conhecida no Universo, pelo menos bilhões de vezes mais rápido que o pensamento humano, logo deixamos de ver muita luz que chega ao nossos olhos, a luz é falsa!
Não se tem noticias freqüentes de cegos que morrem atropelados, pois eles confiam na audição para atravessar a rua, um fato que condena ainda mais a visão ocular, como um sentido traiçoeiro. Diante de todas estas conclusões vá e se olhe no espelho, e saiba que o que está admirando, ou detestando naquela imagem, não passa de uma mentira dita, por aquela que não tem boca, dita pela luz! Peça perdão aos seus olhos, que não têm culpa de nada e estão ali por acaso e ao seu ego por avaliar a realidade com cegos olhos perfeitos!
A Vida vai muito além das aparências, e essa frase não é filosofia de botiquim.
A Vida é feita pra ser ouvida, sentida, tragada e saboreada, e porque não admirada?
A Vida é feita pra ser vivida, antes que a Morte te leve a Vida.


"... Quando achei que o fato de ter perdido a audição era uma desgraça, fui surpreendido, foi na verdade uma benção, pois agora ouço minhas criações musicais sem interferências auditivas do meio..."
(Ludwig Van Beethoven após crise pessimista, quando se deu conta de que sofria de surdez progressiva.)